Entrar numa livraria evangélica ou num aplicativo bíblico é encontrar uma sopa de letras: ARC, ARA, NAA, NVI, NTLH, KJA… Todas são a mesma Bíblia? Sim — e cada uma faz um caminho diferente entre as línguas originais e o seu português. Este guia explica as principais versões e ajuda você a escolher.
O pioneiro: João Ferreira de Almeida
A história da Bíblia em português tem um protagonista improvável: um jovem português que, aos 16 anos, já traduzia o Novo Testamento. João Ferreira de Almeida (c. 1628–1691), pastor reformado radicado nas Índias Orientais, publicou seu Novo Testamento em 1681 e trabalhou no Antigo até a morte. Sua tradução, revisada por gerações, tornou-se a Bíblia dos evangélicos lusófonos — e é a base das versões que levam seu nome até hoje.
Dois jeitos de traduzir
Toda tradução equilibra dois ideais: ficar perto da forma do original (equivalência formal, "palavra por palavra") ou perto do sentido na língua de chegada (equivalência dinâmica, "pensamento por pensamento"). Nenhum dos dois é "mais fiel" em absoluto — são fidelidades a coisas diferentes.
As principais versões, uma a uma
- ARC — Almeida Revista e Corrigida: a Almeida clássica, de linguagem solene ("Porque Deus amou o mundo de tal maneira..."). É a tradução usada neste site, por seu valor histórico e por estar em domínio público.
- ARA — Almeida Revista e Atualizada: revisão de meados do século XX, mais polida e precisa; durante décadas foi o padrão de púlpitos e seminários.
- NAA — Nova Almeida Atualizada (2017): a Almeida com português contemporâneo — "vós" deu lugar a "vocês" — mantendo o rigor formal. Excelente para estudo hoje.
- NVI — Nova Versão Internacional: o meio-termo mais popular: equilibrada entre precisão e fluidez, ótima primeira Bíblia.
- NTLH — Nova Tradução na Linguagem de Hoje: prioridade total à clareza, com vocabulário simples. Ideal para novos leitores, adolescentes e leitura em voz alta.
- KJA — King James Atualizada: inspirada na tradição da célebre King James inglesa, com sabor literário.
- Bíblias católicas (Ave-Maria, Jerusalém, CNBB): incluem os sete livros deuterocanônicos e são referência na Igreja Católica — a Bíblia de Jerusalém, em particular, é respeitada por estudiosos de todas as tradições.
Qual escolher?
Para estudar a fundo: NAA ou ARA (e compare com a NVI). Para criar o hábito de leitura: NVI ou NTLH. Para memorizar e pela beleza clássica: Almeida (ARC). Para crianças e novos convertidos: NTLH. E a dica de ouro: use duas traduções em paralelo — uma formal e uma dinâmica. Onde as duas concordam, o sentido é claro; onde divergem, você acaba de encontrar um ótimo tema de estudo.